Espaço destinado a formação e informação dos trabalhadores. Formação: textos clássicos e conteporâneos sobre movimentos sociais para debate com o intuito da reflexão coletiva da classe; informação: noticias diárias das atividades sindicais e das lutas dos trabalhadores por melhores condições de vida.
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segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Autor: Paiva Neves
O trabalhador, ao contrário do patrão, por mais que trabalhe, não consegue acumular bens, além do que o estritamente necessário para a sobrevivência de si e de sua família. O capitalista, ao contrário, através dos balancetes mensais de suas empresas constata o aumento de suas riquezas. A ideologia burguesa, ou seja, a máquina ideológica do capital passa para os trabalhadores, a idéia de que na sociedade capitalista todos são iguais em termos de oportunidades. O patrão é rico e o trabalhador é pobre, unicamente, porque um é ou foi mais esperto do que o outro. O patrão soube aproveitar todas as oportunidades que a vida lhe ofereceu, teve garra, foi audaz, enquanto que o trabalhador, descansado e sem iniciativa não teve a audácia necessária para vencer na vida. Será isso verdade? De onde vem à riqueza do patrão, como é que ela se multiplica e por que é que o trabalhador, literalmente, se mata de trabalhar e está sempre com a corda no pescoço? Qual o mistério por trás da riqueza do patrão e a situação de miséria da classe trabalhadora?
Os patrões não têm o domínio não só das fábricas, dos bancos e das terras. Os patrões, enquanto classe domina também os rádios, os jornais, a televisão, as escolas e o Estado com suas instituições. Através de toda essa superestrutura, a classe patronal termina dominando, ideologicamente, toda a sociedade. Dessa forma, a religião e a própria família terminam sendo correia de transmissão da propaganda da dominação dos patrões sobre os trabalhadores.
Quando toda essa máquina de difusão da ideologia capitalista diz que um é rico porque é esperto e o outro é pobre porque é preguiçoso, está ocultando a verdade. Esconde a verdade, porque no dia que a classe trabalhadora descobrir o mistério de como acontece à acumulação da riqueza, ela adquirirá consciência de classe, tomará o poder e transformará a sociedade.
Procuremos, usando um raciocínio lógico, desvendar esse mistério. Inicialmente é necessário compreendermos que unicamente o trabalho é capaz de gerar riqueza. Uma máquina é só uma máquina. Por si só ela não acrescenta nenhum valor a mercadoria. A única coisa capaz de acrescentar valor no processo de produção é o uso da força de trabalho. Não confundir trabalho com força de trabalho. Força de trabalho é a energia física e intelectual que o trabalhador gasta durante o processo de produção. O trabalho é o resultado da ação dos trabalhadores sobre a matéria prima e os instrumentos de trabalhos. Quando o patrão contrata o trabalhador para que passe determinado tempo na sua fábrica produzindo, não está comprando o seu trabalho. Está comprando sua força de trabalho.
Vamos imaginar que um determinado patrão tem uma determinada soma de dinheiro, geralmente ele pega esse dinheiro do próprio Estado, através de empréstimos e incentivos, e quer montar uma fábrica para produzir sapatos. Digamos que ele tem 10 Milhões. Digamos ainda, que do total desta soma, quatro Milhões ele use para construir a estrutura física da fábrica. Com três milhões ele compre os outros instrumentos de trabalho, como máquinas e equipamentos. Do restante ele compre dois milhões de matéria prima e com o um milhão que sobrou contrate a força de trabalho.
A fábrica começa a produzir e ao final do ciclo do processo de produção, o patrão que tinha determinada quantia de dinheiro, agora tem essa quantia acrescida de outro valor. Esse valor a mais o patrão chama de lucro. Mais de onde vem o lucro? O trabalhador decifrando esse enigma, com certeza desvendará o mistério da exploração do capital sobre o trabalho. De uma classe sobre outra. Todo o dinheiro que o patrão tinha e que investiu na construção da fábrica, na compra de maquinário, matéria prima e na contratação de trabalhadores transformou-se em capital. Esse capital é de dois tipos. Um é o capital constante que são as máquinas, prédio, matéria prima e outros instrumentos de trabalho e o outro é o capital variável que é a força de trabalho que foi contratada.
A parte constante do capital não gera novo valor, apenas transfere o valor existente para as mercadorias produzidas. O valor da matéria prima é transferido integralmente e de uma só vez para as mercadorias enquanto que valor de prédios, máquinas e equipamentos é transferido lentamente e gradualmente, durante toda sua vida util. Quando uma máquina envelhece e não mais funciona é porque já transferiu todo o seu valor para as mercadorias ao longo do tempo.
Portanto, máquinas, matéria prima, prédio e demais instrumentos de trabalho não criam valor, apenas transferem seus valores para as mercadorias que foram produzidas. Daí ser chamado de capital constante. Já o capital que é empregado na aquisição de força de trabalho, esse sim, gera um valor novo. O capitalista contratou um numero determinado de trabalhadores e paga a cada um deles uma diária de vinte Reais por uma jornada de oito horas de trabalho. Suponhamos que ao término da terceira hora de trabalho eles já tenham produzidos o suficiente para pagar seus salários de todo o dia. Pela lógica, eles parariam de trabalhar aí, porem o patrão dirá: - calma lá! Eu voz contratei para trabalhar oito horas e não três. Os operários dirão: - realmente foi, e continuaram trabalhando. Essas horas excedentes serão apropriadas pelo patrão. São horas não pagas. Elas geram um valor maior, que é chamado de mais valia. Daí advém o lucro do patrão.
Empresa cresce contrata mais e aumenta a exploração
Companhia teve um crescimento de 113% no seu lucro líquido e aumentou sua receita para 1,7 Bilhões.
No caderno “negócios” do jornal Diário do Nordeste, edição que circulou no dia 10 de novembro, foi publicada uma matéria sobre a Vulcabrás. O texto fala do crescimento da empresa e da geração de empregos. Segundo o jornal, a empresa fez um investimento de 56,1 Milhões na unidade de Horizonte, de janeiro a setembro de 2010 e gerou 2931 novos empregos.
No primeiro momento, em uma leitura superficial, o leitor menos atento elogiará a atuação da empresa no Ceará. Realmente, não podemos ser cépticos, duvidando se é boa ou má a geração de empregos. Claro que é bom! Vai gerar renda. Vai dar oportunidade a que mais trabalhadores tenham um meio de vida. Possibilita também, com o acirramento das contradições entre o capital e o trabalho, o crescimento da luta operária por melhores condições de vida.
Aquele leitor menos atento dirá: - Que legal!! A Vulcabrás está injetando mais de R$ 56 Milhões de Reais na geração de quase três mil empregos. Na realidade, o grupo Grendene, grupo ao qual pertence a Vulcabrás, não tirou um único centavo do bolso para gerar esses empregos. Esses 56 Milhões foram gerados pelos próprios trabalhadores. Essa quantia é só uma pequena parte do trabalho não pago. Entendendo aqui como trabalho não pago, as horas da jornada em que o trabalhador, depois de produzir o suficiente para pagar seu salário, continua produzindo e esta produção é apropriada pelo patrão a título de mais valia.
A este respeito, o final da matéria do jornal é bastante elucidativa. Senão vejamos integralmente o texto: “Apesar de está vivendo um período de recuperação depois da crise de 2009 e está enfrentando um impacto negativo nas exportações por conta da valorização do Real, o balanço do terceiro trimestre da empresa registrou índices positivos.
As vendas registradas no mercado exterior apontaram crescimento de R$ 42,2% no terceiro trimestre e 43,2% no acumulado deste ano, comparado aos registrados no ano passado.
O lucro líquido da empresa, no mesmo comparativo, teve um crescimento de 113%. A receita bruta alcançou a cifra de R$ 406,3 Milhões no mesmo período e R$ 1,7 Bilhão no acumulado deste ano. “
O texto é claro. Claríssimo! Os lucros são astronômicos! A Vulcabrás usou apenas uma pequena parte desta fortuna para gerar mais empregos. Os empregos estão sendo gerados por conta do compromisso com o Governo do Estado em que a empresa se compromete a gerar mais quatro mil postos de trabalho. Com certeza, no acordo constam incentivos e facilidades. Uma coisa é certa, foram os trabalhadores e trabalhadoras que geraram toda essa riqueza. Ou seja, os trabalhadores é que estão gerando os empregos.
Com avanço na proposta de piso, trabalhadores votaram pelo acordo
R$ 547,00 é o valor do piso com retroatividade a Setembro de 2010. Em relação ao piso de Setembro de 2009, o reajuste foi de 8,96%. Em janeiro de 2011 o piso será o novo salário mínimo mais 30 Reais.
A Assembléia do dia 11 também deliberou acerca da campanha salarial dos sapateiros de Fortaleza. A direção do Sindicato informou o andar das negociações e a nova proposta de piso arrancada dos patrões. A proposta apresentada foi piso de ingresso de R$ 525,00 e, após a experiência do contrato de trabalho, R$ 547,00 retroativo a Setembro de 2010. A reposição para quem ganha por produção ou fixo, acima de piso, será de 4,29% e a renovação das demais cláusulas.
Em seguida foi feito o debate sobre a possibilidade de novos avanços. A direção do sindicato analisou a campanha. Foi dado ênfase ao crescimento do salário mínimo e a relação com os pisos salariais das categorias. Foi analisado também se a categoria teria possibilidade real de uma paralisação
Após o debate foi proposto à assinatura da Convenção Coletiva com base nas propostas expostas. Não tendo outra proposta, foi colocado em votação e por maioria, os trabalhadores autorizaram a direção do sindicato a assinar o acordo.
Valores
» Piso de ingresso na categoria: R$ 525,00
» Piso salarial: R$ 547,00
» Hora extra do piso de ingresso em dias úteis: R$ 3,58
» Hora extra do piso de ingresso em feriados: R$ 4,78
» Hora extra do piso salarial em dias úteis: R$ 3,73
» Hora extra do piso salarial em dias feriados: R$ 4,98
»No final de Novembro as empresas têm de pagarem a diferença salarial de Setembro e Outubro.
» O dia do sapateiro será dado folga ou abono salarial de um dia de trabalho até o fim de dezembro.
25 anos assessorando o movimento sindical no Ceará
Dia 18, Sessão solene na Assembléia legislativa homenageou o Departamento
O Ceará foi o terceiro Estado do Nordeste a criar um Escritório Regional do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos. Sete entidades sindicais locais se mobilizaram e tomaram a iniciativa de organizar a implantação da entidade no Estado. Assim, em 20¬¬/11/1985, foi realizada a assembléia de fundação do Escritório do DIEESE do Ceará. Nesta assembléia foi aprovada a instalação do Escritório e eleita sua primeira direção sindical.
A primeira sede do Departamento ficava na sede do sindicato dos Bancários da Rua 24 de Maio, 722. Mais tarde o sindicato mudou-se para o número 1289 da mesma Rua, para onde o DIEESE foi e permanece até hoje.
Durante os primeiros anos, o DIEESE contava só sete sindicatos e hoje são 30 sócios. No início da década de 90, a equipe do DIEESE fazia um grande esforço para ampliar a base sócia. Este trabalho culminou com a realização de um grande evento chamado “A festa dos números”. Este evento mobilizou grande parte do movimento sindical, chamando a atenção da importância da manutenção do DIEESE. Hoje o DIEESE é um sonho realizado.
Na homenagem prestada ao Dieese na Assembléia Legislativa do Ceará, além do movimento sindical, seus técnicos, Funcionários e direção sindical estiveram presentes seu Presidente Nacional, o Senhor Josinaldo José de Barros, o Cabeça e o Coordenador de Relações Sindicais, José Silvestre do Prado.
domingo, 7 de novembro de 2010
Para defender os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras!
Quinta-feira, 28 de outubro de 2010 15:42/ FNRP
COMUNICADO
Através deste comunicado, a Frente Nacional de Resistência Popular de Honduras comunica ao povo hondurenho em Resistência, às trabalhadoras e trabalhadores empregados, desempregados ou que se encontre em qualquer outra condição econômica e à comunidade internacional, o seguinte:
1. Denunciamos que o decreto aprovado pelo Partido Nacional, no início da noite no Congresso, é inconstitucional. Ele significa outra investida do regime de força de Porfirio Lobo, que dá continuidade às políticas de repressão iniciadas pelo golpe de Estado contra os trabalhadores e seus estatutos.
Denunciamos que, além de inconstitucional, este decreto é ilegal, pois rompe o estado de direito e promove a convulsão social. A agitação social ocorre devido à contínua violência contra as conquistas de todos os trabalhadores e trabalhadoras de Honduras, afetando direta e ilegalmente os direitos trabalhistas obtidos ao longo de décadas de luta.
2. A oligarquia nunca para de explorar os trabalhadores para manter seus privilégios, ainda que isto signifique o derramamento de sangue do povo. É evidente que continuam entregando nossos recursos naturais ao apoiarem isenções aos fast foods, às termoelétricas, aos bancos e aos poderosos meios de comunicação.
3. Declaramos que a luta do povo trabalhador, não importando sua condição de emprego, é uma luta da Frente Nacional de Resistência Popular. Tal luta, invoca o princípio estabelecido de que todos os direitos trabalhistas são irrenunciáveis. Sendo assim, é obrigação do Estado e nossa defendê-los.
4. Queremos deixar claro que a violação destes direitos não são fatos isolados. São consequências do golpe de estado que permanece com suas ações geradas a partir da classe dominante, através do FMI e da embaixada dos EUA, tendo como objetivo reduzir a massa salarial, para debilitar o setor social e desarticular as organizações sociais do povo.
É mentira a falta de recursos. Possuem recursos, pois isentam o setor privado. Possuem recursos, pois gastam em bombas para nos reprimir e com gastos militares para dar golpes de estado. Possuem recursos, pois são feitos depósitos em contas milionárias, em Miami, pertencentes a dirigentes, donos de meios de comunicação e meios de produção financeira, que somente os usam para defender Micheleti e aos militares que assassinaram a democracia.
5. Condenamos energicamente as manobras que objetivam enganar, mais uma vez, o setor magisterial e os trabalhadores. Também condenamos as covardes estratagemas urdidas para dividir a FNRP. A FNRP é a nossa organização, digna representante das lutas populares e verdadeiro guia do povo para a refundação da pátria e tomada do poder em Honduras.
6. Mais uma vez reiteramos nossa denúncia sobre a duplicidade do regime de Porfirio Lobo. Este regime viola, sistematicamente, os mais elementares direitos dos seres humanos e mente, descaradamente, para fazer crer ao mundo que o Estado de direito em Honduras é deixar impune os crimes e atirar ao povo os custos do fracasso do modelo econômico, com crimes contra a humanidade. Neste sentido, chamamos a atenção dos povos e governos do continente para que não sejam vítimas das falácias deste regime vergonhoso, gerado e sustentado com o sangue de tantas pessoas inocentes, cuja única falta é lutar contra a oligarquia, por uma sociedade mais justa e igualitária.
7. Conclamamos todos os membros da Frente Nacional de Resistência Popular a participarem ativamente de todas as ações convocadas pela FNRP, em apoio aos professores, aos trabalhadores camponeses e aos indígenas. É necessário estarmos conscientes de que enquanto não se restabelecer a ordem constituinte e as forças populares tomarem o poder do país, os problemas em Honduras não serão corrigidos. Portanto, permaneçam atentos às comunicações que serão feitas pelos meios já previstos.
O Partido Nacional que hoje governa representa a oligarquia!
Não existe pátria sem trabalhadores!
Resistimos e Venceremos
Tegucigalpa, 28 de outubro de 2010
José Manuel Zelaya
Coordinador
Juan Barahona
Sub Coordinador
Nota Unidade Classista de Solidariedade Servidores Justiça RJ
03 Novembro 2010
Classificado em Sindical - Unidade Classista
| Crédito: Unidade CLassista - UC | |
Nota de Solidariedade aos Servidores da Justiça do Estado do Rio de Janeiro, em greve desde o dia 19 de outubro
A Unidade Classista/PCB, que participa da organização da Intersindical, vem de público se solidarizar com os Servidores da Justiça do Estado do Rio de Janeiro e com os Coordenadores do Sind-Justiça, diante da truculência do Presidente do Tribunal de Justiça, que age contra o legítimo direito de greve e da livre organização e reivindicação dos servidores do Poder Judiciário.
Da mesma forma, o Governo Estadual de Sérgio Cabral (PMDB, PT e PCdoB), que tem tratado os serviços públicos e os Servidores do Estado com pancada, sacando armas, terceirizando e privatizando suas atividades, deixa clara sua política de criminalização dos movimentos sociais e de desrespeito, inclusive, do processo judicial transitado em julgado que dá, aos Servidores da Justiça, o direito ao reajuste de 24%.
Em represália à mobilização dos Trabalhadores do Tribunal de Justiça, a “Casa da Justiça”, que deveria ser a primeira defensora dos direitos assegurados na Constituição Federal, mostra sua real face: desrespeita o direito constitucional de greve, corta o ponto de servidores legitimamente em greve e cassa licenças sindicais, chegando a promover remoções arbitrárias, revogadas com a unidade e a determinação do conjunto da categoria em greve.
Diante da ofensiva de um Estado que se coloca nitidamente ao lado da burguesia, que criminaliza os movimentos sociais, sindicais e populares, só resta aos trabalhadores a luta, a organização e a mobilização. Mais do que nunca, são necessárias unidade e combatividade dos trabalhadores numa conjuntura internacional de acirramento da luta de classes, a exemplo dos trabalhadores da Europa que, em mobilização permanente, colocam-se em combate em defesa de seus direitos.
Lutar Não é Crime!
– Decisão judicial é para ser cumprida!
– Pelo imediato pagamento dos 24%, para todos os Servidores da Justiça!
– Pelo legítimo direito de greve dos trabalhadores!
– Toda Solidariedade aos Servidores da Justiça e ao conjunto da classe trabalhadora!
– Nenhum direito a menos!
– Avançar nas conquistas!
Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2010
Unidade Classista/PCB, fortalecendo a Intersindical
unidadeclassistarj@gmail.com Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. – (21) 2509-2056
sábado, 6 de novembro de 2010
A INSCRIÇÃO INVENCÍVEL
No tempo da Guerra Mundial
Em uma cela da prisão italiana de San Carlo
Cheia de soldados aprisionados, de bêbados e ladrões
Um soldado socialista riscou na parede com um estilete:
VIVA LÊNIN!
Bem alto na cela meio escura, pouco visível, mas
Escrito com letras imensas.
Quando os guardas viram, enviaram um pintor com um
balde de cal
Que com um pincel de cabo longo cobriu a
Inscrição ameaçadora.
Mas, como ele apenas acompanhou os traços com a cal
Via-se agora em letras brancas, no alto da cela:
VIVA LÊNIN!
Somente um segundo pintor cobriu tudo com pincel
largo
De modo que durante horas desapareceu, mas pela
manhã
Quando a cal secou, destacou-se novamente a inscrição:
VIVA LÊNIN!
Então enviaram os guardas um pedreiro com uma faca
para eliminar a inscrição.
E ele raspou letra por letra, durante uma hora
E quando terminou, lá estava no alto da cela, incolor
Mas gravada fundo na parede, a inscrição invencível:
VIVA LÊNIN!
Agora derrubem a parede! Disse o soldado.
Bertolt Brecht
O valor da mercadoria força de trabalho
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Autor: Paiva Neves
O modo de produção capitalista, historicamente, é produtor de mercadorias. Isto porque, tudo que é produzido tem como objetivo central o lucro. O lucro é obtido através da extração da mais valia no ato da produção. No entanto, ele se concretiza plenamente quando a mercadoria é levada ao mercado para ser trocada por dinheiro que por sua vez é trocado por outras mercadorias para fazer mais dinheiro. Este processo continuado de troca é o que caracteriza o capital.
O que define o valor de uma mercadoria é a quantidade de força de trabalho depreendida para a sua produção. Toda mercadoria, ou seja, tudo que é feito pela mão humana e que se destina à troca no mercado é, na prática, trabalho materializado em forma de capital. Pela quantidade de trabalho socialmente necessário para a produção de determinada mercadoria é estabelecido o seu valor.
Força de trabalho é energia física e mental depreendida pelo trabalhador no processo de produção. Quando o trabalhador entra na fábrica descansado e no final do turno sai cansado, nada mais foi que o uso da sua força de trabalho nas horas que labutou. Toda a sua energia física e intelectual foi transferida para a mercadoria produzida.
A força de trabalho termina também sendo uma mercadoria. É uma mercadoria especial porque tem o poder de criar outro valor. O valor da força de trabalho, como as demais mercadorias, também é definido pelo valor do custo da sua produção. O trabalhador para continuar trabalhador precisa de comida, bebida, moradia, enfim, precisa manter a si e a sua família. Esses gastos que ele faz para manter a si e sua família é o custo da sua manutenção e da sua reprodução enquanto trabalhador. A soma de tudo que ele gasta mensalmente para manter a si e a sua família é o valor da mercadoria força de trabalho.
No Brasil, segundo dados do DIEESE, o salário compatível com a manutenção do trabalhador e sua família é algo em torno de R$ 2.0000,00, no entanto temos um salário mínimo de R$ 510,00. Os pisos salariais das categorias chegam a pouco mais do que isso. É muito pouco. É a prova cabal de que a mercadoria força de trabalho está muito aquém do seu valor real. O trabalhador está recebendo mais ou menos a quarta parte do que deveria receber mensalmente pelo trabalho que realiza. Por isso é necessária a consciência da classe que não é política governamental que vai recuperar o poder de compra dos salários. Somente a luta da classe, com independência dos patrões e dos governos, poderá mudar este quadro.
